À Roda do Género

À Roda do Género - Rede Inducar
À Roda do Género - Rede Inducar

À Roda de Gênero

Há mais de um mês temos acompanhado as polémicas em redor da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento nas escolas com o episódio de dois alunos terem reprovado por faltas após o despacho do secretário de Estado, o que originou a criação de um manifesto – já subscrito por pessoas com responsabilidades em diferentes áreas sociais e políticas – tendo como mote a prioridade conferida à família na escolha do “tipo de educação” para os seus filhos e, em particular, o direito à objeção de consciência na frequência da disciplina.

 

Esta situação trouxe ao de cima que grande parte desse desconforto, como sabemos, centra-se fundamentalmente nas temáticas da Igualdade de Género e da Sexualidade.

 

E perante este cenário, em que falar-se de Género nas escolas é alvo de polémica e resistência, sendo atacado o simples questionar sobre papéis de género, de estereótipos, etc., como ideologia ou doutrinação, urge juntarmos diversos agentes – escolas, ONGs, ativistas, youth workers – para um “diálogo-ação” visando traçar possíveis diretrizes que potenciem o nosso trabalho nessas temáticas.

 

Apesar de sermos várias as ONGs a trabalhar em parceria com escolas e que isso traga uma rica diversidade de abordagens, no entanto, é nítida também uma ausência de cooperação mais próxima entre nós e uma visão comum a nível mais macro, o que nos faz correr o risco de desperdiçarmos esforços e recursos sempre limitados.

 

Sendo a Inducar uma organização aprendente, trabalhando na promoção da educação não formal como ferramenta para a transformação social, estamos verdadeiramente empenhadas/os em processos participativos e na facilitação e co-construção de espaços de aprendizagem e, desta forma, e com este “convite-desafio”, pretendemos criar em conjunto um espaço de partilha e co-construção de planos comuns de atuação nas temáticas de género nas escolas num formato aberto, participativo e colaborativo e, ao mesmo tempo, ambicionando que possamos juntas e juntos desenhar um plano concreto para nortear o nosso trabalho conjunto.

 

Como pontapé inicial, pensamos em organizar um primeiro encontro no dia 24 de outubro, sábado, no Porto, com um formato desenhado em dois momentos: • Manhã: Partilhas de recursos, métodos, dificuldades na prática quotidiana no trabalho com/nas escolas • Tarde: Co-construção de um plano de ação comum

 

Este encontro destina-se a pessoas e organizações que atuem com jovens em contexto escolar (ou não) sobre as temáticas de Género e Sexualidade.

 

 

Inscrições até dia 18 de outubro aqui: https://bit.ly/2H2p8oT

Local a ser enviado após confirmação da inscrição.

Manifesto: Uma epidemia abala o mundo – mas os rios ainda correm para o mar (e agora levam máscaras)

Manifesto: Uma epidemia abala o mundo – mas os rios ainda correm para o mar (e agora levam máscaras)

Os movimentos e organizações formais e informais que assinam este AVISO POR CAUSA DA SAÚDE DO PLANETA, unidos na determinação de contribuir para uma nova atitude para com os nossos rios, chamam com este Manifesto a atenção das autoridades, da sociedade civil, dos diversos agentes económicos, sociais e culturais, e dos cidadãos e das cidadãs, para a enorme importância que a saúde dos rios e das bacias hidrográficas tem no equilíbrio da Terra e, portanto, na saúde das sociedades humanas.

 

Com a surpreendente pandemia que rapidamente se espalhou à escala de um mundo globalizado e interdependente, tornou-se evidente o que alguns já vinham anunciando há décadas:  a saúde é uma só, e num planeta doente não pode haver humanidade saudável. Uma sociedade só é saudável quando são saudáveis o ar, a água, os solos, as plantas, cultivadas ou espontâneas, e os animais, domesticados ou livres. É tempo para que todos aprendamos a respeitar os rios, a admirar mais os rios livres que os rios «acorrentados», a ver como intolerável qualquer tipo de poluição, ainda que a pretexto de uma (má) economia ou de um (mau) desenvolvimento.

A partir de duas fontes convergentes de inspiração [1], de recomendações e urgências, convidam-se as autoridades, a sociedade civil e cada pessoa a:

  • Tomar como inspiração a prova evidente, dada pelo confinamento decretado para proteger a saúde humana, de que a causa da poluição generalizada do ambiente – e em particular dos rios e massas de água – está na (má) economia e no (mau) desenvolvimento, e que o regresso à atividade das populações deve ser feito de acordo com uma economia diferente, sob pena de repor e mesmo agravar a «doença planetária»;
     
  • Decidir que a retoma da economia deverá ser ou tornar-se modelar, demonstrando que é possível pôr em prática um outro modelo social e económico assente na sustentabilidade, no respeito pela natureza, na regeneração e na perenidade ambiental e socioeconómica;
     
  • Reconhecer que sem ecossistemas saudáveis não pode haver humanidade saudável, sendo que o meio aquático, o mais ameaçado de todos, se encontra na base da saúde planetária; cuidar deles, regenerá-los, preservá-los, é uma exigência de responsabilidade perante as gerações futuras;
     
  • Procurar novos modelos respeitadores da biodiversidade ligada aos rios e zonas húmidas ao nível da produção agrícola, com menor consumo de água e capazes de evitar a erosão; do planeamento urbano, promovendo uma urbanização fora dos terrenos inundáveis; da produção de eletricidade, combatendo a degradação dos ecossistemas aquáticos causada pela produção hidroelétrica, e em geral que diminuam a extração de água e aumentem a sua reutilização;
     
  • Impulsionar a celebração da Década das Nações Unidas para a Regeneração dos Ecossistemas 2021-2030 por decisão da Assembleia Geral da ONU;
     
  • Colocar a água no centro das opções e práticas económicas e do emprego uma vez que, segundo a Organização Mundial de Saúde, 3 em cada 4 empregos dependem da água;
     
  • Reforçar a atenção aos nossos rios, ribeiros e outras linhas de água, bem como massas de água paradas ou temporárias, como lagoas, albufeiras e charcos;
     
  • Propor a criação de um corpo de profissionais a tempo inteiro, com formação adequada para exercer funções de vigilância, informação e fiscalização eficazes em defesa das linhas e massas de água, ou destacar e formar para esse fim parte dos efetivos de vigilantes da natureza, desde que adequadamente reforçado;
     
  • Valorizar e respeitar os nossos últimos rios ou trechos de rios livres, incentivando e colaborando com programas de recuperação e privilegiando abordagens de engenharia natural. Equacionar, nos casos em que barragens existentes atinjam o seu tempo de vida útil, a renaturalização ribeirinha em vez da reconstrução de infraestruturas;
     
  • Rejeitar as práticas de destruição ou mutilação de galerias ribeirinhas onde se refugia quase sempre uma vegetação abundante e diversa de grande valor natural, parte de um ecossistema rico em biodiversidade;
     
  • Tendo em conta que muitos dos ecossistemas ribeirinhos estão hoje invadidos por espécies exóticas de proliferação rápida e nefasta (invasoras), incentivar a recuperação das espécies autóctones, dentro e fora de água, bem como da sua envolvente;
     
  • Acompanhar atentamente e promover a boa gestão das concessões de pesca em trechos de rios, por forma a evitar a sobre-exploração e outras práticas nefastas;
     
  • Incentivar as entidades responsáveis à abertura e renaturalização dos trechos de rios entubados, dentro da medida do possível, a curto, médio ou longo prazo, consoante cada situação, inscrevendo tal objetivo nas políticas de ordenamento do território e nos instrumentos de gestão territorial;
     
  • Ter consciência que muitos dos problemas de erosão costeira, sentidos no litoral, se devem a opções erradas nos rios e ribeiras;
     
  • Incentivar uma nova atitude humana de presença nos territórios, a que uma bacia hidrográfica confere uma certa unidade e identidade específicas, a partir de uma economia local assente nos valores ecológicos e na qualidade de vida, no cuidado posto na conservação e não na destruição da natureza;
     
  • Sensibilizar os vários públicos e a comunidade em geral, através da ação das diferentes pessoas e entidades, para as questões atrás referidas, sempre que viável com a colaboração das escolas e dos educadores, e propondo uma atenção crítica aos conteúdos e programas escolares com incidência na ética e na educação ambiental aplicadas aos valores naturais desses territórios e à forma como são utilizados;
     
  • Reforçar a democracia da água, aprofundando a articulação e o envolvimento de pessoas e organizações da sociedade civil, numa efetiva participação em processos de gestão integrada de bacias hidrográficas.

    Em suma, queremos evidenciar a importância de prosseguir a criação de uma Nova Cultura da Água, ao longo das linhas de reflexão e ação precedentes.


    Os subscritores,

25 palavras e valores da Inducar no Dia da Liberdade

Wordcloud Rede Inducar - 25 de Abril
Wordcloud Rede Inducar - 25 de Abril

25 palavras e valores da Inducar no Dia da Liberdade

São muitos os conceitos e pensamentos que nos ocorrem quando falamos no 25 de Abril. Este ano, desafiamos a equipa e a cooperativa da Inducar a revelar 25 palavras e valores que associam a esta data histórica. O resultado foi esta “nuvem” de palavras bonitas.

Memory of Water: a experiência de Inês Cavaco na Escócia

Primeiro encontro com o projeto em Gdansk, Polónia, outubro 2019
Primeiro encontro com o projeto em Gdansk, Polónia, outubro 2019

Memory of Water (MoW)

“No fim de 2019 surgiu a oportunidade de fazer parte do projeto Memory of Water (MoW), como coordenadora de uma residência artística focada em práticas participativas, a acontecer em junho de 2020 em Govan, Escócia. A Rede Inducar aceitou ser a minha “organização de envio”, através do Corpo Europeu de Solidariedade.

Com todas as atividades no exterior adiadas e entregue ao modelo de teletrabalho, a minha maior ocupação tem sido a reestruturação do website do projeto MoW.

Escrevo/vivo/teletrabalho do lado sul do rio Clyde, em Glasgow. Em direção a oeste – e partilhando o mesmo rio – fica Govan, uma cidade com um património extenso e uma vida diferente do centro de Glasgow. Desde pedras esculpidas do tempo dos Vikings, ao facto ter sido um dos centros mundiais de construção naval até ao final do século XX, Govan é casa de grandes ativistas e grupos comunitários. As partes do estaleiro servem agora de estúdios para vários artistas e as docas, em frente, corriam o risco de se tornarem habitações de luxo que em nada serviriam a comunidade de Govan. A proposta não foi aprovada. Vitória do povo! Contudo, a ameaça permanece.

O projeto MoW dialoga, através da intervenção artística, com todos os níveis da sociedade. Desde colaborar com a comunidade local, aos políticos, planeadores urbanos e outros acionistas, trabalhamos com o intuito de criar eventos inclusivos e intervenções artísticas que mostrem a potencialidade dos espaços pós-industriais ao serviço da cultura e das pessoas.

 

“Já lá vão dois meses desde que cheguei e mais de um mês de quarentena. Tem sido desafiante, no mínimo, mas cheio de aprendizagens.”

 

Inês Cavaco

“A Par e Passo” avança com desenho colaborativo

“A Par e Passo” avança com desenho colaborativo

Nos dias 8 e 10 de outubro, a designer Rita Brandão – em conjunto com a coordenadora Inês Carvalho e as professoras da turma da EB 2,3 da Arrifana, Santa Maria da Feira – dinamizou duas sessões colaborativas com as alunas e os alunos. Na primeira sessão, a turma explicou por temas e palavras-chave o que significava o projeto.

 

Ao brainstorming, seguiu-se um exercício, na segunda sessão, onde se começaram a desenhar elementos que refletem o projeto. Foi um processo bastante dinâmico, criativo e com uma dedicação incrível por parte de todas/todos! No final, a designer devolveu à turma algumas ideias (ainda em bruto) que resultaram do trabalho por elas/eles desenvolvido. Estamos ansiosas/os pelo resultado final deste processo colaborativo!

A Par e Passo - Rede Inducar